quinta-feira, 27 de junho de 2019

O Elefante Acorrentado

Você já observou um elefante no circo?
Durante o espectáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunal.
Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Por que o elefante não foge?
O elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno.
Naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar, e, apesar de todo o esforço, não pôde sair.
A estaca era muito pesada para ele.
E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espectáculo.
Então, aquele elefantinho tornou-se um elefante enorme que não se solta porque acredita que não pode.
Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo.
O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.
Isso muitas vezes acontece com as pessoas!
Vivem acreditando em um montão de coisas “que não podem ter”, “que não podem ser”, “que não vão conseguir", simplesmente porque, quando eram crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouviram tantos “nãos” que “a corrente da estaca” ficou gravada na memória com tanta força que perderam a criatividade e aceitaram o “sempre foi assim”.
Poderíamos dizer que o "fogo" para as pessoas poderia ser: a perda de um emprego, doença de alguém próximo sem que se tenha dinheiro para fazer o tratamento, ou seja, algo muito grave que as fizesse sair da zona de conforto.
No entanto, não é necessário, e nem a melhor solução, esperar que o circo pegue fogo para libertarmos o nosso verdadeiro potencial, pois a limitação só existe na mente...

A metáfora do elefante acorrentado e a manipulação perversa materna


No espectáculo de circo, o elefante faz mil e uma demonstrações evidenciando diversas habilidades em meio a sua estonteante força. Antes de entrar em cena, porém, este estrondoso animal permanece apático, contido em seus movimentos, preso por uma pata em apenas uma ínfima corrente que o aprisiona à uma pequena estaca de madeira cravada ao solo. Mesmo se a corrente fosse mais grossa, o que não é o caso, certamente ele teria a capacidade de derrubá-la com um mínimo esforço, podendo resgatar instantaneamente a sua capacidade inata de movimentar-se livre e espontaneamente para onde seus instintos o levassem.
O ponto é que ele não toma nenhuma atitude neste sentido. Por que será?
Desvendando o enigma: O elefante não escapa de seu cativeiro por um motivo bastante óbvio e dramático, ele foi preso àquele pedacinho de madeira em sua mais tenra idade. Naquele tempo tentou arduamente se livrar do que o prendia, mas não tinha força suficiente para tanto e apesar de todo o seu esforço, foi vencido pelo que o amarrava naquela situação. Por fim, exausto, desistiu de tentar entendendo que a sua existência seria restrita daquele modo. Estaria semilivre apenas quando os seus donos assim o permitissem. Ansioso e entristecido com o seu destino, passava horas e horas a espera de poder ter uma pequena brecha de liberdade e movimento.
O ciclo da dependência e da falta de contacto com a própria força, tanto para os elefantes como para os humanos, começa desde muito cedo e se não for devidamente tratado, passará pelo risco de repetir-se no mesmo padrão em relacionamentos que fatalmente terão características abusivas.
No universo do circo, o elefante não se solta porque não tem consciência de seu tamanho e de sua força e, por consequência, não acredita que pode. Do mesmo modo, filhas de mães narcisistas perversas igualmente passam por dificuldades semelhantes. Como reféns, elas perpetuam-se neste status de abalo emocional, em que a corrente da vez, que as mantém atadas na estaca, estão nas falas nocivas e desqualificadoras que cumprem a função de colocá-las numa posição de total insegurança frente a qualquer atitude assertiva que possam vir a ter. Como resultado, igualmente aos elefantes, não acreditam em suas forças inatas, duvidam de suas capacidades e da validade de tudo o que poderiam conquistar. Seguem tímidas em suas caminhadas, em meio a um vazio afectivo inominável, na infinita espera de que um dia finalmente serão amadas na medida do que nelas faltam podendo, assim, definitivamente se verem livres de tais correntes. Como pedintes de amor e da necessidade da aprovação de todos ao redor e por receio de serem rejeitadas, passam por cima de qualquer dor ou sentimentos próprios em nome de satisfazerem as mínimas necessidades dos outros.
Apenas quando rompem com a corrente que as aprisionam, num grito de sobrevivência máxima, definitivamente aprendem que podem dizer não, que podem sentir o que for com segurança e passam a entender que podem se bancar sem a ameaça da reprovação e sem a necessidade de prestar contas para os algozes a espreita.
A lealdade com a corrente que as atam, inventa que as mães são as únicas fortes do pedaço e que as filhas deverão ser as suas eternas dependentes. Nesse papel, estas mães se sustentam nas identidades de magnanimidade à custa de filhas que foram severamente doutrinadas a ininterruptamente confirmarem essa desvairada alucinação de grandeza.
Como estratégia, as mães tóxicas mantêm os filhos aprisionados em suas correntes sob a pena do não recebimento de amor e da inexorável sensação de abandono se ousarem descumprir as regras de submissão impostas.
Para que o elefante consiga se desenvencilhar, fugindo para longe das correntes que o atam na estaca, é necessário que ocorra algo muito grave vindo de fora, como um acidente natural, um terremoto, uma tempestade, um furacão, um dilúvio, incêndio, enfim, alguma situação que o coloque em risco real. O medo e a luta pela sobrevivência o fariam apostar na vida de modo bem diferente de tudo que ele havia aprendido anteriormente. Filhas de mães narcisistas conseguem se desatar destes grilhões também quando estão em situações de risco, quando passam por depressões severas, quando são assoladas por questionamentos que as impulsionam a descobrir a verdadeira trama de onde estão inseridas, quando o pedido pela vida gera uma massa crítica de consciência de que algo de muito errado está ocorrendo e que a única saída é sair desse aprisionamento tóxico.
Em alguns casos, ajuda de terapia competente faz toda a diferença para que um novo ciclo de vida saudável possa ser inaugurado.
Sua vida é o seu bem maior.

O elefante acorrentado

O elefante acorrentado

— Não consigo — disse-lhe. — Não consigo!
— Tens a certeza? — perguntou-me ele.
— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.
O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:
— Deixa-me que te conte…
E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.
No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani­mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…
— E é assim a vida, Damião. Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coarctam a liberdade.
Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.
Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»
Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.
Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos:
Não consigo e nunca hei-de conseguir.
 O Jorge fez uma longa pausa. Depois, aproximou-se, sentou-se no chão à minha frente e prosseguiu:
— É isto que se passa contigo, Damião. Vives condicionado pela lembrança de um Damião que já não existe, que não foi capaz.
»A única maneira de saberes se és capaz é tentando novamente, de corpo e alma… e com toda a forca do teu coração!

O ELEFANTE ACORRENTADO

O ELEFANTE ACORRENTADO


                  
            Você já observou elefante no circo? Durante o espectáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Que mistério! Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espectáculo.

Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode. Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.

Isso muitas vezes acontece connosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas “que não podemos ter”, “que não podemos ser”, “que não vamos conseguir", simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos “nãos” que “a corrente da estaca” ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o “sempre foi assim”.

Poderia dizer que o fogo para nós seria: a perda de um emprego, doença de alguém próximo sem que tivéssemos dinheiro para fazer o tratamento, ou seja, algo muito grave que nos fizesse sair da zona de conforto.

A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes! Não espere que o seu "circo" pegue fogo para começar a se movimentar. Vá em frente!